Para você que luta por um Brasil próspero, justo e acima de tudo livre, informo que o assunto a seguir não é nada positivo, tão pouco animador. Afinal, existem inúmeras maneiras de um brasileiro morrer, mas nunca de tédio. Este país não decepciona em nos surpreender, tampouco em nos decepcionar. Principalmente quando o assunto é o mal uso do dinheiro público, ou, como dizia a Dama de Ferro (Margaret Thatcher) “There is no such thing as public money, there is only the taxpayer money”.

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Por: Bartô 
 

Adivinha quem vai
bancar as campanhas bilionárias de 2022?

Na última quinta-feira (15), o Congresso Nacional aprovou em apenas um dia a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), momento o qual foi definido que o Fundo Eleitoral das eleições de 2022, será de R$ 5,7 bilhões de reais. Pois é, para aprovar a reforma da previdência eles levam meses, mas, para votar o uso do seu dinheiro para a compra de “santinhos políticos” eles têm a proeza de votar tudo em um único dia. Com o aumento aprovado, o Fundão chega a praticamente R$ 6 BILHÕES, valor quase três vezes maior, se comparado com o ano de 2018. Pelo visto o Congresso esqueceu que o país enfrenta uma crise econômica e decidiu votar em tempo recorde o orçamento bilionário das campanhas eleitorais de 2022.

 

E a pandemia? Não estávamos passando por problemas graves em nosso sistema de saúde? Quero ver se algum defensor do fundo eleitoral tem coragem de falar que “não se paga eleições com vacina”. Cadê o bom senso desse pessoal que diz defender a democracia, mas precisa que ela seja paga pela população? Como liberal, acredito que o dinheiro dos pagadores de impostos deve ser destinado somente para serviços essenciais.

O fundo eleitoral não é essencial, logo ele não deveria existir. Não é justo que a população arque com os custos de campanha dos candidatos. Em 2018, quando eu fui candidato não utilizei nem um centavo de dinheiro público, fiz uma campanha barata onde tudo saiu do meu próprio bolso e de doações de apoiadores. Assim, para aqueles que pensam que o fundão "democratiza as eleições”, vamos aos fatos: caso o aumento seja sancionado pelo presidente da república, o partido que receberá o maior montante de dinheiro, será o PT, cerca de R$ 564 milhões, em segundo o PSL: R$ 559 milhões e em terceiro o MDB com R$ 414 milhões. Ou seja, os partidos que mais recebem esses recursos, são aqueles que têm o maior patrimônio, e são sempre os candidatos “favoritos” que recebem maior parcela do fundão, ou seja, aqueles com mais proximidade com os “caciques”/donos dos respectivos partidos.

 

Ano passado nas eleições para vereador, foram noticiados diversos casos em que a falta de isonomia na hora de distribuir o dinheiro ficou evidente. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes a prestação de contas das eleições municipais de 2020, podemos averiguar que 80% do valor doado pelos partidos é entregue a menos de 1% do total de candidatos. Sendo assim, é muita ingenuidade pensar que o fundão é justo e serve para ajudar os menores. Quem diria, hein? Na hora de distribuir dinheiro público, todos esses partidos adotam o socialismo, isto é, riqueza para os “favoritos”, amigos do rei, e pobreza para o resto.

Em Belo Horizonte, por exemplo, certa candidata recebeu cerca de R$ 690 mil, e os outros candidatos ao mesmo cargo, do mesmo partido, na mesma cidade receberam juntos um total de R$ 383 mil. Em outras palavras, uma única pessoa recebeu sozinha quase dois terços do dinheiro da chapa de vereadores. Enfim, o projeto vai agora para sanção do chefe do poder executivo, o presidente da República, Jair Bolsonaro. Assim, gostaria de deixar uma pergunta para o presidente: o senhor sancionará esse absurdo ou irá vetá-lo? Em 2018 o senhor foi eleito com o discurso de fazer diferente. Esse descaso com o dinheiro dos pagadores de impostos não pode ser normalizado! Portanto, fica aqui o meu apelo:

não ao fundão eleitoral!